MEG RYAN: A RAINHA DAS COMÉDIAS ROMÂNTICAS
por Patricia Cardoso


Há quem considere a comédia romântica um género menor em termos cinematográficos. Porém, eu que não sou actriz, acho que não deve ser fácil ter piada e um ar doce de apaixonado ao mesmo tempo. Sim, porque as comédias românticas são no fundo a fusão de dois géneros: uma comédia mas sem o ar apalhaçado e o drama mas sem ser de “faca e alguidar”. São filmes levezinhos, pronto, que não nos fazem pensar muito mas que também são necessários pelo seu entretenimento. E não há nada que ligue melhor com um balde de pipocas, uma caixa de lenços de papel e uma tarde chuvosa. Em poucas palavras, são filmes para quem quer acreditar no amor.

Para mim, é difícil ver uma comédia romântica sem a Meg Ryan. Aliás, qualquer realizador que queira enveredar por esse caminho, que queira ter um êxito de bilheteira e que não tenha dinheiro para pagar à Júlia Roberts, pode e deve contratar a Meg Ryan.
Ela surgiu timidamente nas nossas vidas em 1986, após ter participado em algumas séries televisivas norte-americanas: uma rapariguinha loira e de ar engraçado interpreta em “Top Gun” a mulher de Goose, o melhor amigo de Tom Cruise.

Três anos mais tarde, Meg Ryan ganha uma grande papel em comédia no clássico “When Harry met Sally” (quem não conhece a famosa cena do orgasmo fingido à mesa de um restaurante…?).

Depois dum papel mais sério como namorada de Jim Morrison no filme biográfico “The Doors”, volta ao seu registo em 1992 ao lado de Alec Baldwin (estes irmãos estão em todo o lado…) no filme Prelude to a Kiss, que acabou por ser um fiasco. Talves por isso, volta aos papéis dramáticos ao interpretar uma alcoólica problemática em “When a Man loves a Woman”, alcançando um estatuto diferente da menina bonita e pelo qual mereceu bastantes elogios da crítica.


Em 1995, interpreta e produz, na minha opinião, uma das melhores comédias de todos os tempos: French Kiss. Para quem não teve o prazer de ver este filme, recomendo quanto mais não seja pela química perfeita que nos proporcionam Meg e Kevin Kline (no papel de um francês vigarista).

Dois anos mais tarde, mais um dos melhores: Viciados no Amor. O papel da namorada traída que se alia a Matthew Broderick para se vingarem dos seus pares é um dos melhores que já vi. Em 98, o brilhante remake “Cidade dos Anjos”, e não há bela sem senão: a tentativa de par romântico com Tom Hanks (que estará para sempre assombrado pela frase “Run, Forrest, Run…”) em “I’ve got Mail”, a única comédia romântica em que Meg Ryan entra e que eu não suporto.

Em 2001, mais um filme fracote, “Kate e Leopold”, cuja história nos parece demasiado familiar e reutilizada vezes e vezes sem conta.

Em 2003, Jane Champion escolhe-a para interpretar Frannie Avery no polémico thriller “In the Cut”. No papel de uma professora de Literatura, Meg Ryan envolve-se com Mark Ruffalo e juntos praticam a cena de nudez que ficou mais famosa do que o próprio filme em si.

Meg já tem 3 filmes em pré-produção até 2006: “The Tortilla Curtain”, com Kevin Costner, “In the Land of Women e “Papa”, onde irá interpretar a mulher do escritor Ernest Hemingway (Nick Nolte).

Aqui fica a minha humilde homenagem a uma da minhas actrizes preferidas, e sem dúvida a melhor actriz em comédias românticas.




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Publicado em Maio de 2005