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ROMERO POWER (1940-?)
por Mário Fontinhas


Aos 10 dias do mês de Abril de 1951 nascia no Michigan um fenómeno. Aos sete anos de idade foi discípulo de grandes mestres do karate e aos dez anos já praticava aikido. Mas, de repente, e num violento volteface, quando tudo até aqui parecia apontar para uma brilhante carreira em físico-química, este rapaz decide que o seu futuro está nas artes marciais.

Viaja para o Japão onde mestres japoneses o instruem na milenar arte de manusear um elástico fino, por forma a conseguir um laço que, ao envolver um conjunto de cabelos, os estrangula, resultando num catita rabo-de-cavalo. Desse dia em diante, o mundo era dele. Superando sempre as contrariedades com aprumo e brio, Seagal passou por grandes provações. A saber: nunca ninguém escreveu o seu nome nos créditos com certezas, isto porque Seagal tem (digo eu) problemas em soletrar, assim, desde Steve Seagal, a Steven Seagel ou Steven Segal, o herói apanhou com todas as designações até granjear, também por honra e obra de muita porrada e um bonito penteado, o nick name de The Great One. Dizem vocês: “grande coisa, o gajo tem um metro e noventa”. Mas não. Desenganem-se. Ele é O Grande por um conjunto de vários e importantes motivos:

Veste bem.

É vegetariano.

Partiu o pulso do Sean Connery nas filmagens do Never Say Never Again em 1983.

Gosta de música dos rasta e estudou-a na Jamaica.

Tem uma vinha enorme.

Toca guitarra e canta e ainda este ano lançou um álbum chamado “Songs from the Crystal Cave”.

Foi produtor e actor de um conjunto de filmes onde a protecção ambiental era plano de fundo de muita costela partida com justiça.

Mas, mais importante que tudo isto, é o facto de uma sua santidade budista, o senhor Penor Rinpoche, ter confirmado em 1997, que Seagal é, na verdade, a reencarnação de um Lama Budista.

O homem não é grande, é um colosso. Um colosso que nos presenteia com grandes filmes de acção. E passamos ao que interessa: os filmes e a acção. O processo é bastante simples. Aliás, para produzir um filme de Seagal basta juntar água. 1.º passo – trazer o Seagal, 2.º passo – vesti-lo e penteá-lo bem. 3.º passo – mostrar-lhe os gajos que usam demasiado pesticida na cultura da batata. 4.ª passo – dizer-lhe que isso não é coisa simpática. 5.º passo – deixá-lo fazer puré dos maus através de complicadas técnicas que prometem desequilibrar o inimigo com auxílio do peso dos corpos. (a parte de juntar água é, afinal, opção).

Para terminar falta apenas escolher duas ou três palavras que se pareçam com coisa nenhuma e/ou uma ameaça. Exemplo do estilo: Poço, território, ataque, refém. Agora juntar derivados de morte: mortal, mortífero, mortadela. Por fim juntar artigos e já está. Vejamos: o Poço da Morte; O Território Mortal; O Ataque Mortífero; O Fogo da Mortandade; o Refém da Mortadela. Agora só falta esperar pelas duas da manhã de uma Quarta feira de insónias e sintonizar um canal de televisão perto de si.

 

 



Publicado em Novembro de 2005