_ Estreias

_ Notícias + Gossip

_ O Caderno da Clarice

_ Clássicos

_ Apresenta

_ Zapping

_ Banda Sonora

_ Calendário

_ Film Stills

_ WWW

_ Passatempos

_ Eventos

_ Fórum

_ Links

_ Arquivos

_ Ficha Técnica




Ben Wishaw




EU CONFIO NELE!
por Gabriela Ferreira

Se há um livro que simultaneamente me assusta e agrada ver adaptado ao cinema é “O Perfume – História de um Assassino” de Patrick Süskind. Esta é uma daquelas leituras de paixão, que ou se ama ou se odeia, e expressões artísticas que despertam sentimentos extremos são para mim sinonimo de genialidade. No meu caso, foi amor às primeiras linhas (frase mais linda!). Num cenário de férias em família, numa aldeia onde o ponto alto do dia… onde na verdade não havia pontos altos, devorei o livro em quatro dias.

Desde que o “O Perfume” se tornou num best-seller mundial que a indústria cinematográfica tem piscado o olho ao seu autor. Reza a história que Süskind, um homem reservado que muito raramente dá entrevistas e fala das suas obras, apenas concordava com uma adaptação cinematográfica se esta fosse dirigida por Stanley Kubrick. Esta é a parte frustrante da história, imaginar o filme que poderia ter nascido daqui se o realizador não tivesse morrido.

Há uns meses, foi oficialmente anunciada a fase de pré-produção do filme. Dustin Hoffman e a Alan Rickman são os nomes mais sonantes do elenco, irão representar o mestre perfumista Guiseppe Baldini e Antoine, o pai da rapariga por quem o personagem principal tem uma obsessão. Mas a escolha que deve ter sido alvo de um cuidado redobrado foi sem dúvida a desta personagem principal, Jean Baptiste Grenouille. Conta-se que Johnny Depp foi pensado para o papel num dos projectos do filme, que ao longo dos anos tem passado de mão em mão. Mas o contemplado acabou por ser um jovem inglês praticamente desconhecido, Ben Whishaw. Parece o mais acertado, um rosto conhecido do grande público seria meio caminho andado para a desgraça, por melhor que fosse o actor, toda a força da personagem seria assim condicionada. Nesta altura, o filme encontra-se já em pós-produção, depois de gastar um orçamento que ronda os 50 mil euros e de ter sido filmado na Alemanha e em Espanha. Para quem percebe alemão, neste site (http://www.parfum-fan.de/) podem ler-se mais pormenores sobre o filme. Para quem, como eu, não faz ideia do que está escrito na página, pode sempre clicar em todos os links para ver as fotografias e reportagens televisivas. Numa, oferecem-nos um vislumbre de Ben Whishaw na pele de Grenouille que muito sinceramente me fez arrepiar de tão magnânima.

No fundo, este texto serve para deixar um voto de confiança ao realizador por detrás desta obra, Tom Tykwer. Não lhe conheço mais do que “Corre Lola Corre” e posso vir a arrepender-me quando o filme estrear, mas por enquanto tenho fé. Tom Tykwer, além de ter o aspecto de um duende demente, o que é sempre bom sinal, prima por não se envolver em projectos de entretenimento pelo entretenimento. Não que estes filmes sejam menores ou não interessem, longe disso. Só que não me parece que Süskind criasse “O Perfume” numa atitude de apenas entreter quem o lê. Coerentemente, a sua adaptação cinematográfica não poderia ser algo tão insípido como uma grande produção hollywodesca, recheada de nomes sonantes, uma espécie de reunião de egos gigantescos, do realizador à equipe de montagem, dos actores ao responsável pelo guarda roupa. Para quem se lembrou de “O Código da Vinci”, por acha que é esse o caso ou porque pensa que nestas palavras estaria indirectamente a falar dessa adaptação, peço desculpa, o livro está de facto na minha mesa de cabeceira, mas ainda não foi lido.





Publicado em Novembro de 2005