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ROMERO POWER (1940-?)
por Mário Fontinhas


Apesar de não ser conhecido como Spielberg ou Tarantino e de não ter uma legião de fãs tão vasta, George Romero é um nome que soa mais do que familiar a qualquer fã do cinema fantástico ou de terror, e cujo trabalho foi tão importante e decisivo para a sétima arte que ainda hoje vemos repercursões da sua carreira que começou nos anos 60. Muitos dos seus filmes já foram alvos de remakes, uns bons, outros maus. Neste aspecto destaco o remake do “Dawn of the dead”, que fez com que o génio voltasse ao activo. Nascido em Nova Iorque em 1940, George A. Romero começou cedo a filmar anúncios e curtas-metragens através de uma pequena produtora que montou com amigos “Image Ten Productions”.

A primeira longa-metragem, feita com um orçamento reduzidíssimo em 1968, foi o clássico "Night Of The Living Dead", que ainda é, sem dúvida, um dos mais importantes filmes da história do cinema fantástico e ainda hoje me custa a acreditar que este clássico seja a sua primeira longa metragem. A maioria dos realizadores perseguem um sucesso destes a vida inteira e Romero, sem querer a coisa, consegue no seu primeiro filme um dos maiores clássicos do cinema de terror. Não tendo sido um sucesso imediato, "Night Of The Living Dead" veio a conquistar o seu público com o tempo, dando a Romero dinheiro suficiente para continuar a insistir no cinema fantástico de baixo orçamento com títulos como "The Crazies" (1973), "Hungry Wives" (1974) ou "Martin" (1977). Estes filmes não trouxeram nada de novo à indústria cinematográfica e tiveram pouco interesse, mas décadas depois, "The Crazies" (sobre um vírus que devasta a zona da Pensilvânia) ganhou o estatuto de filme de culto e está a ser alvo de um remake.

Entretanto, as relações entre Romero e a “Image Ten Productions” foram-se deteriorando, bem como também a relação entre Romero e o argumentista John Russo, criador do guião de “Night of the Living Dead”. Em 1978, associado com uma produtora italiana, representada por Dario Argento, Romero filmou "Dawn of the Dead", mítica sequela do filme de 1968, que foi um enorme sucesso comercial e tem mesmo um dos poucos remakes que na minha opinião valeu a pena ser feito.

Romero nunca ambicionou entrar no mundo de Hollywood. Sempre ambicionou ser o melhor no seu cinema underground. Sempre com baixos orçamentos conseguiu fazer filmes ligeiramente mais ambiciosos, como "Knightriders" (1981) ou "Creepshow" (1982), que marcava a primeira de muitas colaborações entre Romero e Stephen King. Em 1985, Romero voltou à carga com a terceira entrada da sua saga de zombies, "Day of the Dead", mais ambicioso e mais caro do que os anteriores, mas um verdadeiro fracasso. A partir desta altura, a carreira de Romero não mais evoluiu e com a queda do cinema de terror de série B, no final dos anos 80, deixou de haver muito espaço para realizadores como Romero. Em 1988 fez o assombroso "Monkey Shrines", que venceu vários prémios no Fantasporto, e em 1993 voltou a adaptar uma obra de Stephen King, "The Dark Half". Nenhum dos filmes teve a repercursão dos trabalhos anteriores de Romero, e este entrou num longo retiro silencioso, que para muitos fãs foi interpretado como o fim da carreira do autor.

Este silêncio foi, todavia, interrompido em 2000, com "Bruiser", um filme muito estranho e incompreendido na altura, que falhou terrivelmente junto do público e da crítica. Com este fracasso final, seria de prever que Romero se tivesse despedido de vez. Mas no cinema fantástico nunca nada morre e por tal, com o despertar de sucessos como "28 Days Later" (2003), "Resident Evil" (2003) e o espectacular remake de "Dawn of the Dead" (2005), várias pequenas produtoras uniram-se e financiaram uma quarta entrada da saga de zombie para ser realizada por Romero. E assim surgiu "Land of the Dead" (2005). Land of the Dead é o quarto filmed a saga constituída por "Night of the Living Dead"(1968), "Dawn of the Dead" (1978) e "Day of the Dead" (1985).

O projecto original para uma sequela destes três filmes chamava-se "Twilight of the Dead", e já estava na gaveta desde os tempos de "Bruiser". Originalmente, na história de Twilight, os zombies tinham conquistado o mundo e poucos eram os humanos que sobravam. Os zombies já estavam decompostos a um tal ponto que já não eram uma ameaça, apenas um incómodo, e os sobreviventes tentavam reconstruir as suas vidas enquanto lidavam com o embaraço que estes representavam. O projecto de "Twilight of the Dead" foi também arquivado na altura pelo envolvimento de Romero em "Resident Evil" (2003) para o qual ele escreveu um argumento e chegou a ser falado como realizador. Mas Romero não queria um "Resident Evil" muito comercial, e os produtores escolheram Paul S.Anderson. “Land of the Dead” traz-nos um Romero um bocado mais comercial, mas dá-nos também um filme de zombies com uma atitude e uma garra como já não se fazem.

Em “Land of the Dead” poucas são as comunidades de humanos que sobram e os mortos dominam a terra. Com os anos, a situação pareceu estabilizar-se. Os humanos já têm a sua vida organizada dentro deste cenário apocalíptico. O problema é que com o evoluir da espécie zombie, estes parecem começar estar a ganhar inteligência e tornarem-se numa ameaça bem mais perigosa. No seu novo filme, os zombies não são lentos como é habitual, controlam a terra e os humanos sobrevivem em fortalezas. Cabe a um grupo de exterminadores descobrir uma solução para esta ameaça. Considero este filme como o renascer do mestre.



Publicado em Outubro de 2005