WALKER
O RANGER DO TEXAS:
O CORAÇÃO NUMA MÃO E A ARMA
NA OUTRA
por Ângela Guilherme
Quem
não se lembra do Ranger Cordell Walker
e do seu companheiro inseparável James
Trivette? Quem não se lembra daqueles belas
tardes de fim-de-semana que começavam com
a balada “In the eye of the ranger…” cantada pelo
próprio Chuck Norris? Ou quem não
se lembra da bela Alex Cahill, a eterna namorada
do Bobby Ewing da série “Dallas”, e dos
momentos de tensão vividos entre ela e
o Walker? Lembranças revisitadas com nostalgia…
“Walker, o Ranger do Texas” esteve no ar durante
sete anos. De 1993 a 2001, aos écrans das
televisões de todo o mundo chegou uma série
que se tornou mítica, não só
pela originalidade e força do seu genérico
e pelos seus poderosos diálogos, como também
pelas marcantes aventuras em que o trio de heróis
se envolvia em cada episódio.
O genérico da série tornou-se um
ícone televisivo. A cidade ao fundo, a
figura do ranger mais famoso do Texas com uma
arma na mão e uma gabardina amarela vestida
(mesmo ao estilo “Os Imortais” ou “Matrix”), o
feno a abanar lá atrás… Tudo isto
com a voz do Chuck Norris a embalar o espectador
e a envolvê-lo numa atmosfera única!
“That is what a Ranger has gotta be.” e assim
terminava a música do genérico.
Foram tempos áureos da produção
televisiva, sem dúvida!
Aqueles diálogos consolidavam a consciência
de cidadania de cada um. Há quem defenda
que durante o tempo em que a série esteve
no ar o debate democrático nunca foi tão
forte e que as típicas noções
americanas de “bem” e de “mal” nunca foram tão
bem delimitadas. Cordell era um homem de poucas
palavras, mas de muitos olhares… As suas expressões
faciais foram estudadas ao pormenor para que,
na ausência das palavras, vilões,
companheiros de equipa e espectadores compreendessem
o que pretendia. Chuck Norris preferiu adoptar
uma expressão única que simbolizasse
o bem, a imagem de marca do ranger que todos queriam
ter por perto. Assim, quer estivesse a usar artes
marciais, a prender um vilão, a tagarelar
com o amigo Trivette, a pedir a Alex em casamento,
Cordell tinha o mesmo olhar de homem bom e de
confiança. Definitivamente, um amigo do
seu amigo!
Silenciem-se aqueles que o acusavam de ser demasiado
violento. Perito em muitos tipos de artes marciais
e confiando num instinto especial para entender
as mentes criminosas, Cordell tinha de fazer uso
da violência para repor a ordem, mas em
diversas ocasiões mostrou ter um enorme
coração e um precioso carácter.
Que outro Ranger aceitaria Trivette como o seu
braço direito, sabendo que este era uma
antiga estrela de futebol americano que tentava
ao máximo ter um espírito científico,
mas que não conseguia deixar a sua vontade
de protagonismo em segundo plano no defender da
justiça? Mas Cordell valorizava o esforço
e a força de vontade do ser humano. Ele
sempre se lembrou de que Trivette tirou com muito
custo o curso de criminologia em horário
pós-laboral. E depois temos a atraente
Alex Cahill, interpretada por uma actriz já
habituada aos cenários texanos. Com as
suas mini-saias a contrastarem com o look roto
e sujo de cowboy dos companheiros, esta mulher
das leis adoptava um estilo executivo típico
de uma mulher de direito. De facto, ela sempre
foi a única capaz de convencer o teimoso
Cordell a mudar de ideias…um casamento feliz no
qual se sabe quem usa as calças.
Mas Cordell é implacável… a defender
a lei, a usar as artes marciais. A bem ou a mal,
ele trata de a fazer cumprir a lei, pois ele tem-na
do seu lado. Ele é Walker, Cordell Walker,
o ranger mais famoso do Texas.
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Publicado em Março
de 2005